
“Eu sinto falta. Na verdade, desde que decidi classificar isso como falta, e não como uma saudade boba que vai passar. Desde que percebi que você, decididamente, não vai mais voltar pra mim. Eu acho que realmente sinto a tua falta. Eu posso negar, mudar de assunto quando alguém fala sobre nós ou, simplesmente não pensar em você por uma ou duas horas. Mas a saudade continua aqui, presa em mim. Essas lembranças estúpidas continuam indo e vindo. Às vezes eu até consigo escutar os ecos daquela tua risada exagerada ou os suspiros que você soltava quando estava brava. Às vezes, eu consigo sentir a tua respiração quente no meu peito, escutar aquelas promessas de amor eterno que você adorava repetir. Eu até escuto teus sussurros roucos e sinto o cheiro do teu perfume na minha camisa.
Eu não entendo por que, mas as pessoas continuam perguntando de você pra mim. Falando de como nós nos dávamos bem e de como a nossa separação era algo estranhamente errado. Nessas horas, fico sem saber o que fazer, é só eles mencionarem você que o meu coração já dispara. Fico desejando que um buraco se abra no chão e engula a maldita pessoa que insiste em me lembrar teu nome. Mas, na maioria das vezes, apenas solto um suspiro, mudo de assunto, concordando com eles.
Nossa separação é algo incompreensível. Eu fico aqui rodando em círculos, acabo sempre no mesmo lugar. Pensando nas mesmas coisas. Acho milhares de soluções diferentes para consertar o que eu falei de errado ali ou o que eu fiz de errado lá. Foram tantos erros… Mas sabe que, no meio de todos eles eu também encontro muitos acertos. No meio de tanta tristeza eu encontro tanta felicidade. De um tempo pra cá eu decidi que usaria o termo “Agridoce” para definir o que a gente foi e o que eu ainda sou. Eu te odeio por te amar.
Meu Deus, olha o que tu faz com a minha cabeça, às vezes me sinto até meio poeta de tanto drama que coloco nessas cartas. Engraçado que eu sempre achei bobagem essa coisa de ficar dramatizando tudo enquanto tá apaixonado ou planejando contos de fada, do tipo “Vamos ter dois filhos, um menino e uma menina. Nossa casa vai ser bem grande. Todas as nossas brigas vão terminar em sexo. Etc, etc, etc…” sério, eu sempre achei tão idiota parecer tão frágil, gritar aos quatro ventos que, a qualquer pequeno desentendimento, o coração parte em mais alguns pedacinhos. Você sabe, parecer um bobo apaixonado. É estranho admitir, mas eu sempre fui um bobo apaixonado por ti, todo frágil, todo fraco.
Você não fazia com que toda essa baboseira de ‘“eu te amo” “eu amo mais.” “não, eu amo mais.” ou “um dia a gente ainda vai morar junto.” fizesse sentido. Sei lá, contigo eu simplesmente queria ficar falando essas baboseiras e se desse, eu ficaria um dia inteiro pendurado no telefone tentando fazer você desligar primeiro. Mesmo que não faça sentido algum ficar discutindo sobre algo assim.
Eu já disse que sinto falta não só dos seus beijos, abraços e mordidas?
Eu também sinto falta do teu sorriso irônico quando eu admitia que tava errado depois de você repetir isso mil vezes. Do teu sorriso largo quando eu fazia a coisa certa. Do jeito como você conseguia me fazer te perdoar sem conseguir ficar, no mínimo, uns 5 minutos irritado. Eu sinto falta de tudo. Das brigas, das merdas que você fazia, do ciúme. Porque sem eles, nós não seríamos nós.
Talvez eu só tenha notado isso agora, sem a tua birra, sem a tua mania de “eu-estou-sempre-certa-nunca-errada”, sem o ciúme excessivo que tu sentia ou ainda, sem o teu jeito irritante de se vingar de mim… Você não seria você e consequentemente, nós não seriamos nós. Sem todas aquelas merdas que a gente enfrentou junto ou todos as lágrimas que derramamos um pelo outro nada, no fim, seria tão perfeito.
Eu quero isso de volta, Júlia. Eu quero a minha garotinha mimada, a minha pequena. Eu não quero que tudo seja exatamente igual. Só quero a garantia de que você ama mais, de que um dia a gente ainda vai morar junto, com os nossos dois filhos e que a ligação só vai acabar quando o meu cartão ou a bateria do celular, acabar também.
Eu só quero a gente de volta. Sabe por que? Porque eu sinto falta…”